Português English

Indígenas Gamela sofrem ataque a tiros em retomada

Inserido por: Administrador em 03/12/2015.
Fonte da notícia: Assessoria de Comunicação do Cimi

Na noite de ontem (02/12), indígenas Gamela sofreram um atentado a tiros em uma área tradicional retomada no Maranhão. Segundo relato de indígenas que estavam no local, homens em uma caminhonete dispararam vários tiros contra o acampamento da retomada. Ninguém foi atingido, mas o clima entre os indígenas é de tensão e insegurança.

Entre segunda e terça-feira, os indígenas do povo Gamela retomaram duas fazendas que incidem sobre seu território tradicional no Maranhão, e as quais são denunciadas por eles como terras griladas. Desde então, os indígenas vem sofrendo diversas ameaças dos fazendeiros dessas áreas. Na terça à noite, quatro carros estranhos começaram a rondar o acampamento da retomada.

Na noite de quarta-feira (02/12), por volta de 22h da noite, uma das caminhonetes que rondava o acampamento indígena parou junto à porteira de uma fazenda vizinha. Homens desceram dela e começaram a atirar contra os indígenas. Segundo uma liderança Gamela, não identificada por questões de segurança, os indígenas, entre adultos e crianças, correram para se esconder atrás de uma pequena área com mato, enquanto os homens seguiam atirando.

Segundo a liderança ouvida pela reportagem, os Gamela na área retomada já temiam que um ataque fosse acontecer, em função das ameaças feitas pelos fazendeiros e da presença dos carros estranhos rondando a região. Indígenas Gamela que não estão participando diretamente da retomada também têm recebido ameaças em suas casas, e três carros estranhos continuam rondando o acampamento.

Hoje pela tarde, indígenas registraram dois Boletins de Ocorrência na delegacia do município de Viana, referentes às ameaças e ao atentado sofrido. Os Gamela conseguiram registrar a placa do veículo em que estavam os homens que efetuaram os disparos e descobriram que se tratava, na verdade, de uma placa clonada.

Também hoje à tarde, ocorreu uma reunião ampla que contou com a presença das Secretarias de Direitos Humanos e Participação Popular, de Meio Ambiente e de Segurança Pública do estado do Maranhão, da Fundação Nacional do Índio (Funai), do Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma) e de diversos movimentos sociais apoiadores dos Gamela, além dos próprios indígenas.

Na reunião, a Secretaria de Direitos Humanos reconheceu o indiscutível direito à terra dos Gamela, e a Secretaria de Segurança Pública comprometeu-se a investigar a questão dos carros com placas clonadas e a garantir uma ronda policial constante na área para evitar novos ataques contra os indígenas.

No próximo sábado, uma comitiva deve ir à área retomada para acompanhar a situação e prestar apoio e solidariedade aos Gamela.

Atualmente, mais de 700 famílias do povo Gamela vivem numa área de apenas 530 hectares, sem espaço para praticar agricultura e, ainda, sofrendo com a grilagem e a destruição de árvores e plantas importantes para sua sobrevivência, como é o caso dos açaizais, utilizados para alimentação, e dos guarimãs, cuja palha é utilizada para confecção de artesanatos. Segundo os indígenas, a destruição destas culturas ocorre também de forma criminosa, com a intenção de retirar sua autonomia e seus meios de sobrevivência.

As fazendas retomadas somam cerca de 300 hectares e fazem parte do território tradicional reivindicado pelos indígenas, o qual totaliza aproximadamente 14 mil hectares. Os indígenas reivindicam a demarcação do território que já lhes havia sido cedido pelo Estado em 1759, ainda no período colonial do Brasil. O processo demarcatório ainda não foi aberto pela Funai.

Para saber mais sobre a situação recente do povo Gamela e as duas retomadas de terras tradicionais ocorridas esta semana, clique aqui e aqui.

foto: Rosimeire Diniz, Cimi Regional MA

MA

1ª Assembleia do Povo Pyhcop Cati J reúne 11 aldeias da TI Governador, no MA

Demarcação da terra indígena foi o principal tema da Assembleia

Onda de assassinatos vitima seis Guajajara de três terras indígenas no Maranhão

Em 2016, chega ao menos a 12 o número de homicídios contra indígenas no estado - já superando anos anteriores.

Temendo o fim da Frente de Proteção Etnoambiental, povo Awá-Guajá promete trancamento de ferrovia da Vale

"Nós vamos lutar por nossa terra. Aqui criamos macaco, jabuti e temos comida de graça. Não vamos aceitar que os fazendeiros tirem nossa terra”, diz Amiri Awá

TJ/MA suspende segunda decisão da Justiça Estadual contra o povo Gamela

O desembargador citou os incisos I e XI do artigo 109 da Constituição Federal para argumentar que compete à Justiça Federal processar e julgar controvérsias relacionadas aos direitos indígenas

Atendendo a pedido da Justiça Federal, Cimi/MA entrega relatório sobre a saúde indígena do povo Awá Guajá

“O que vemos são prazos extensos para o governo federal não atender as demandas. Enquanto isso os indígenas passam por todo o tipo de privação e dificuldades", afirma coordenadora do Cimi Regional...

Total de Resultados: 224

Página atual: 5 de 45

Início Anterior 12345678910 Próximo Final

Endereço: SDS, Ed. Venâncio III Salas 309/314 - Brasília-DF Cep: 70393-902 - Brasil - Tel: (61) 2106-1650 - Fax: (61) 2106-1651        Twitter - Ciminacional Skype - imprensa_cimi
desenvolvimento: wv