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II Encontro da TEIA dos Povos Indígenas do Maranhão reforça unidade contra 'projetos de morte' e violência

Inserido por: Administrador em 23/06/2017.
Fonte da notícia: Teia dos Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão


Crédito das fotos: Gilderlan Rodrigues da Silva/Cimi Regional Maranhão


Os povos Pyhcop Catiji/Gavião, Krikati, Akroá Gamella, Krepymkatiji, Krenyê, Apãnjekrá/Canela e Memortumré/Canela se reuniram, entre os dias 17 e 21 deste mês, no II Encontro da TEIA dos Povos Indígenas do Maranhão. As discussões ocorreram no Kri Riachinho, Terra Indígena Governador, do povo Gavião.

 

Na pauta a unidade contra os projetos de morte que insistem em atacar o que os indígenas chamam de "busca do Bem Viver". O Matopiba, um cinturão do agronegócio que pretende avançar fronteiras agrícolas sobre biomes e terras tradicionais do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, segue como preocupação e razão de luta.

 

Episódios de violência e a inexistência de políticas públicas foram denunciadas durante o encontro. "Sentimos as dores dos nossos parentes Gamella, do disparo de tiros de fazendeiro contra indígenas Krikati, nos preocupamos diante da ameaça de madeireiros de invasão da aldeia Rubiácea do povo Pyhcop Catiji/Gavião".

 

Leia a carta final do encontro na íntegra:

 

Povos Indígenas lutando por território em busca do Bem Viver

 

“Nosso território é tudo para nós, sem ele não podemos Viver” (Leonice Gavião)

 

Nós, povos Pyhcop Catiji/Gavião, Krikati, Akroá Gamella, Krepymkatiji, Krenyê, Apãnjekrá/Canela, Memortumré/Canela, reunidos no Kri Riachinho, Território Governador, do povo Gavião, realizamos o II Encontro da TEIA dos Povos Indígenas, nos dias 17 a 21/2017. Durante o encontro, refletimos sobre os desafios que afetam nossas vidas, nossos territórios e a necessidade de fortalecer a nossa luta em defesa dos nossos direitos. Nos relatos de cada povo, percebemos que a violência, o desrespeito, a discriminação e a exploração continuam acontecendo. Situação que se agrava com a implantação do programa MATOPIBA que avança sobre o cerrado destruindo a fauna e a flora. Notamos que as políticas públicas de saúde indígena e educação escolar indígena estão cada dia mais esfaceladas, fruto de uma política de governo que sempre tentou nos desterritorializar e liberar o nosso chão sagrado para o mercado capitalista que vê a vida como mercadoria. Entendemos que a colonização é igual a dominação. Dominação que continua querendo nos homogeneizar e nos afastar do nosso modo de vida coletivo.

 

Sentimos as dores dos nossos parentes Gamella diante do massacre ocorrido no dia 30/04, do disparo de tiros de fazendeiro contra indígenas Krikati, nos preocupamos diante da ameaça de madeireiros de invasão da aldeia Rubiácea do povo Pyhcop Catiji/Gavião e tantas outras violências que acontecem contra nossos parentes. Uma violência que aparece quando estamos lutando para defender os nossos territórios e o Estado permanece surdo, mudo e deixa impune situações como essas e tantas outras.

 

Os inimigos dos povos indígenas continuam semeando a semente da dúvida entre nós, mas com as nossas sementes sagradas e o fortalecimento das nossas culturas, com a força dos encantados, os rituais que nos alimentam e fortalecem, pisando no chão sagrado, sentindo a força da Mãe Terra, que entra pelos pés e vai no coração, continuaremos tecendo o Bem Viver em nossos territórios.

 

Reafirmamos que lutaremos unidos, fortalecendo a Teia Indígena na luta por autonomia, justiça e liberdade.

 

Kri Riachinho, 21 de junho de 2017


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