Português English

“Carne Fraca”: JBS foi maior doadora de campanha de Osmar Serraglio

Inserido por: Administrador em 17/03/2017.
Fonte da notícia: De Olho nos Ruralistas


Por De Olho nos Ruralistas

O ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB-PR), aliado de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e nomeado a partir do lobby da bancada ruralista, aparece em interceptação telefônica da Polícia Federal feita na Operação Carne Fraca, a maior operação da história da instituição, que tem como alvos empresários do agronegócio.

O grampo interceptou a conversa de Serraglio em fevereiro do ano passado, quando era deputado federal pelo PMDB paranaense, em conversa com Daniel Gonçalves Filho, ex-superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná e descrito pela PF como “líder da organização criminosa”.

O deputado procurou Gonçalves para obter informações sobre uma fiscalização no Frigorífico Larissa, do empresário Paulo Rogério Sposito, conhecido como Paulinho Larissa, candidato pelo PPS à Câmara nas eleições de 2010.

“Em conversa com o deputado Osmar Serraglio”, informa a Justiça Federal, “Daniel é informado acerca de problemas que um Frigorífico de Iporã estaria tendo com a fiscalização do Mapa (o frigorífico Larissa situa-se na referida cidade)”.

Veja abaixo a conversa interceptada pela PF:

O diálogo:

Osmar: Grande chefe, tudo bom?
Daniel: Tudo bom?
Osmar: Viu, tá tendo um problema lá em Iporã. Cê tá sabendo?
Daniel: Não.
Osmar: O cara lá….que o cara que tá fiscalizando lá…aprovou o Paulo lá…disse que hoje vai fechar aquele frigorífico… botô a boca.. deixou o Paulo apavorado. Mas para fechar tem o rito, não tem? Sei lá…como funciona um negócio deste?
Daniel: Deixa eu ver o que está acontecendo.. tomar pé da situação de lá…falo com o senhor.


Segundo a PF, logo após a ligação, Daniel Gonçalves ligou para Maria do Rocio, fiscal na região implicada na operação. Ela responde que não há nada de errado. Gonçalves repassa as informações para Serraglio.

O delegado da PF Maurício Moscardi Grillo disse ao R7 que o deputado não foi grampeado, mas apareceu nas interceptações feitas no telefone de Gonçalves. Como Serraglio era deputado quando apareceu no grampo, “não poderíamos avançar em nenhuma investigação”, disse o delegado.

Mesmo assim, Grillo confirmou que o diálogo foi “encaminhado ao procurador-geral da República […] para que não houvesse dúvidas sobre a investigação e a legalidade do que estava sendo apurado”.

JBS, a maior doadora

Serraglio declarou ao Tribunal Superior Eleitoral, em 2014, um patrimônio de R$ 5,4 milhões. Os bens mais valiosos estão ligados ao mercado imobiliário. Imóveis rurais, ele declarou dois. Um de 24 hectares em Nova Prata do Iguaçu (PR), por R$ 5.966,54, e outro em Umuarama (PR), que ele possui desde 1976, por R$ 409, 20. Em 1997 o deputado possuía R$ 704 mil.

A maior doação feita legalmente para Serraglio, em 2014, foi do frigorífico JBS, uma das empresas investigadas na Operação Carne Fraca, com um aporte de R$ 200 mil.

O deputado paranaense também ficou conhecido por defender o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no ano passado, ao pautar recursos que poderiam anular o processo contra seu aliado no Conselho de Ética. Quando Cunha foi finalmente preso, Serraglio lamentou: “É a queda da República!”


Osmar Serraglio é aliado de Eduardo Cunha (Foto: Alex Ferreira/ Câmara)

Outro lado

Em nota, o Ministério da Justiça diz:

Se havia alguma dúvida de que o Ministro Osmar Serraglio, ao assumir o cargo, interferiria de alguma forma na autonomia do trabalho da Polícia Federal, esse é um exemplo cabal que fala por si só. O Ministro soube hoje, como um cidadão igual a todos, que teve seu nome citado em uma investigação. A conclusão tanto pelo Ministério Público Federal quanto pelo Juiz Federal é a de que não há qualquer indício de ilegalidade nessa conversa gravada.

LEIA MAIS:
“Carne Fraca”: maior operação da história da PF mira empresários do agronegócio

No Brasil

Governo é “incapaz de sentir qualquer remorso com a dor de milhões”, afirma Rede Brasileira Justiça e Paz

Em mensagem pública divulgada após encontro, Rede Brasileira Justiça e Paz trata “anomalia do atual governo” como projeto que “legitima a adoção de políticas que, num quadro de normalidade, jamais...

Indígenas denunciam a comissionário da OEA crescente violência contra suas comunidades e exigem do Governo andamento nas demarcações

Indígenas reuniram-se na tarde de ontem, domingo (12), com o comissário da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA, James Cavallaro. A delegação apresentou a realidade de violação...

Encontro Nacional de Direitos Humanos debaterá lutas e políticas sociais no país

Nos dias 8 e 9 de novembro acontece em Brasília o Encontro Nacional de Direitos Humanos em Brasília (DF).

Brasil não comparece a audiências e é cobrado na CIDH

O relator do organismo para o Brasil, James Cavallaro, avaliou as informações apresentadas pelas representações indígenas e quilombolas como “chocantes”

Violência contra indígenas no Brasil é tema de audiência pública na Comissão Interamericana de Direitos Humanos

A audiência ocorrerá na segunda-feira, 23, durante o 165º Período de Sessões da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), em Montevidéu, no Uruguai

Total de Resultados: 655

Página atual: 1 de 131

123456 Próximo Final

Endereço: SDS, Ed. Venâncio III Salas 309/314 - Brasília-DF Cep: 70393-902 - Brasil - Tel: (61) 2106-1650 - Fax: (61) 2106-1651        Twitter - Ciminacional Skype - imprensa_cimi
desenvolvimento: wv