22/12/2017

Novo site do Cimi pretende aprimorar contribuição à causa indígena

Site agora conta com Observatório de Violência contra povos indígenas e mecanismos de busca e navegação aprimorados

Se você está lendo este texto, deve ter percebido que o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) está com um site totalmente novo. Em um ano com datas simbólicas e importantes para a entidade, como os 45 anos de fundação, os 30 do martírio de Vicente Cañas e a edição 400 do jornal Porantim (que em 2018 completa quatro décadas), o novo site entra no ar exatos 20 anos depois da inauguração da primeira página do Cimi na internet. Em dezembro de 1997, o FrontPage e os códigos HTML foram os recursos utilizados para construir a canoa que levava informações sobre a causa indígena em tempos de internet discada, disquetes e neoliberalismo.

A novidade deste novo site é o Observatório de Violências Contra os Povos Indígenas. Um desejo antigo do Cimi, posto que a entidade realiza levantamentos de violências desde o seu surgimento, com o manifesto Y-Juca Pirama: O Índio, Aquele Que Deve Morrer, o instrumento pretende sistematizar os dados apanhados pelas dezenas de equipes do Cimi espalhadas pelo país e pelas assessorias de comunicação e jurídica, bem como pelo setor de documentação da entidade, e cruzar com conteúdos virtuais – não apenas do próprio site – envolvendo a temática. Por outro lado, o Observatório também receberá denúncias e casos de violência contra os povos. A intenção é motivar que os próprios indígenas possam fazer os seus relatos e modernizar um serviço prestado historicamente pelo Cimi.

O usuário poderá preencher uma ficha detalhada descrevendo a violência, quando e onde ocorreu. As fichas serão criptografadas, garantindo proteção ao denunciante (que pode se identificar ou não) e às informações. Os dados cairão diretamente num e-mail utilizado pela equipe do Cimi responsável pela análise e apuração dos casos e fatos. O time é composto pelas assessorias jurídica e antropológica (autoras do questionário da ficha), setor de documentação e missionários e missionárias destacados. Estes dados irão para o Relatório de Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, lançado anualmente pelo Cimi. Importante ressaltar que tais fichas passarão por criteriosa análise, com metodologia e checagem definidas previamente como já é a práxis do Cimi, o que não irá garantir um ambiente desregulamentado e sem critérios para a veiculação pública das denúncias.

O Observatório se encontra em uma primeira fase, a inaugural, em face do lançamento do novo site, e no decorrer dos próximos anos demais aprimoramentoS serão executados. A este esforço se soma a plataforma Caci e o seu mapeamento virtual da violência contra os indígenas. Todo o esforço possibilitará aos povos indígenas, jornalistas, pesquisadores, missionários e missionárias, indigenistas, Poder Público e demais interessados acesso rápido, sistematizado e dinâmico a informações essenciais sobre a vida dos povos.

Agência Porantim de Notícias

“Notícias. Muitas notícias e questões básicas sobre o Cimi. O site sempre teve essa característica de veiculação de notícias. Nesse começo a jornalista Kátia Vasco escrevia as notícias e eu postava”, ressalta Eduardo Holanda, decano do Cimi, sobre os objetivos do site inaugurado há 20 anos. Tal vocação não se alterou no decorrer do tempo. Para esta nova versão do site, o objetivo é manter e aprofundar o caráter jornalístico multimídia do Cimi com a Agência Porantim de Notícias Indigenistas – que será a versão virtual do jornal Porantim, cujo caráter passará a ser de aprofundamento com grandes reportagens, artigos, reportagens gráficas e ensaios.  

A Agência Porantim pretende vincular o conteúdo diário produzido pelos jornalistas da assessoria de comunicação da entidade, mas também materiais feitos por profissionais de outros veículos de imprensa, imprensa indígena (caso da Yandê, por exemplo) entidades indígenas (Apib, Coiab, Apoinme, ArpinSul, ArpinSudeste, Comissão Guarani Yvyrupa, TEIA/MA, CIR e por aí afora) e aliadas da causa indígena e do Cimi, além de órgãos públicos responsáveis pela defesa destes povos, caso do Ministério Público Federal (MPF). Vídeos, artigos, reportagens gráficas, notas públicas, clipping e pautas à imprensa também estão no raio de ação da Agência Porantim. A histórica coluna do Cimi chamada Ameríndia será o espaço para notícias sobre a questão indígena na América Latina, Central e do Norte.

Seguem tendo ênfase os assuntos correlatos à questão indígena, caso dos quilombolas, comunidades tradicionais, camponeses, sem-terras e a luta popular de um modo geral, com ênfase para as populações do campo e das florestas. As informações fixas sobre a questão indígena – povos, terras indígenas – receberam atualizações com artigos e levantamento específico da parte legislativa e jurídica, incluindo uma cartilha especial sobre os direitos dos povos indígenas. O leitor poderá acessar toda a legislação nacional e internacional que ampara os direitos indígenas.  

O campo para a pesquisa no novo site – que reúne o acervo dos últimos dez anos de atividade – está novamente ativado: no antigo site, parte deste acervo histórico não estava acessível aos leitores e a busca convivia com problemas técnicos insuperáveis. Com tudo resolvido, a causa indígena ganha mais um campo de pesquisa importante para embasar ações judiciais, textos, intervenções públicas. Soma-se a outros acervos, de organizações tão importantes e longevas quanto o Cimi; um circuito completo de memória e luta em defesa dos povos indígenas.

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